quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Debate real
Juvenil são ataques pessoais. Não fazemos isso, especialmente quando falamos por um pretenso movimento.
Esse post, portanto, contém um apelo para que tal cidadão abandone seu nome de guerra e apresente-se para um debate real com os membros desse movimento acerca tão somente das problemáticas apresentadas aqui, nada mais.
Sugerimos, para facilitar a resposta do auto-denominado Frederico, que ele contra-argumente o texto "Resposta ao nosso amigo Frederico". Porém, pedimos que dessa vez ele (ou ela) o faça com as próprias palavras e opiniões.
Grato,
Alexandre Branco - alebrancop@gmail.com
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Conflitos na USP
Já faz tempo. Hoje escrevo como estudante da USP, contribuindo com meu depoimento para que essa discussão prossiga. Desde já, peço desculpas, para o caso de não me fazer de todo compreendido. Não sei se meus argumentos são bons ou ruins, ou se tenho bom senso ao proferi-los, e, francamente, isso é irrelevante. Para começar, não se definem argumentos como bons ou ruins, e não se julgam pessoas usando como justificativa o bom senso que, achamos, temos e alguém não tem. Existem argumentos, existe o convencimento, e a dicotomia e o etnocentrismo irrefreado não têm lugar aqui. E, na minha opinião, é justamente por isso que a USP está em greve, assiste a piquetes, a confrontos armados, a conflitos latentes em suas próprias entranhas.
Os manifestantes reacionários (sim, exatamente) têm direito à greve, a protestos, à liberdade de opinião e de expressão, mas nem por isso podem impedir aqueles (tão livres quanto estes) que não se identificam com a pauta de reivindicações, ou simplesmente com o meio pelo qual tais reivindicações são manifestadas, de frequentarem aulas ou adentrarem o ambiente de trabalho. Piquetes, "cadeiraço", fechamento dos portões da Cidade Universitária... todo um aparato coercitivo é colocado em ação para que aqueles, cuja opinião não concorde com a dos grevistas, sejam forçados a discutir, forçados a pensar como estes, forçados a se juntarem às manifestações... acontece que ninguém acaba sendo forçado, pois o efeito natural e imediato do piquete é muito simples: quem não concorda, vai embora. Só se pode concluir que os manifestantes (que lutam por democracia) não são democráticos.
Temos então que o movimento sindical e o estudantil, na Universidade, são, sim, reacionários, e não os contrários (como eu) à maneira como as reivindicações têm sido conduzidas. O que vem a ser uma pessoa 'reacionária'? É aquela que se manifesta integralmente contrária às ideias de transformação da sociedade (segundo o Dicionário Escolar da Academia Brasileira de Letras). O mundo se transformou. Há 40 anos, os meios eficazes para a mobilização eram os piquetes, os "cadeiraços", os manifestos pichados nas paredes, os grandes cartazes curtos e grossos... eram tempos em que não havia liberdade. A forma eficaz para atacar um sistema ditatorial que atacava com força e opressão era, certamente, força e impulso no sentido contrário. Mas hoje, não. Hoje, há liberdade de expressão e de comportamento. Hoje, as pessoas são livres para entrar em greve (e também para não entrar). Agir com violência é ignorar décadas de luta durante o regime militar, durante as últimas dezenas de décadas. Agir com violência é ignorar os direitos humanos, a diplomacia, o valor da discussão calcada em argumentos racionais. Agir com violência na luta por democracia é agir com incoerência e hipocrisia.
As pessoas que não aderiram à greve têm seus motivos para tal, e não vão aderir a esse movimento enquanto forem alvo de atitudes violentas. Elas podem, sim, aderir à greve, se convencidas a tal. Não se convence uma pessoa a agir de determinada forma na base da porrada, da proibição, da instituição de um poder que decide por ela se é permitido assistir a uma aula ou comparecer ao expediente do dia. É preciso habilidade, compreensão mútua, tolerância, argumentação racional, negociação. E é por isso que não concordo com o movimento pró-greve da USP: eles não têm demonstrado saber o que fazem para conquistar seus objetivos (novamente, afirmo: aqui não discuto os fins, mas sim os meios. Não sou contrário à pauta de reivindicações do Sindicato dos Trabalhadores da USP, mas sim à sua política de não saber fazer política).
O que não me faz favorável à postura assumida pela Reitoria ou pelo Governo do Estado. A reitora se mostrou inapta a negociar, o que necessariamente nos faz refletir o que ela espera de seu próprio legado. Liderança, hoje, não é liderar um grupo radical que vence com base na força, mas sim um grupo que vence com base no convencimento de seus adversários, na formação de alianças e vínculos positivos entre diferentes grupos de interesse, pois isso é diplomacia, e a diplomacia é a forma adequada de se fazer política em tempos de liberdade (não, não adianta gritar que a revolução proletária é hoje e que a tirania da maioria é a forma boa de se governar, pois isso não é mais uma possibilidade). E o que a reitora tem feito é meramente liderar um grupo radical, formado por uns poucos apoiadores, que veem a atuação violenta da PM como solução para seus probleminhas.
O que fazer em meio a dois polos radicais, que se recusam a negociar de maneira racional, e colocam em risco a segurança de toda a comunidade da USP, a todo o tempo? Fugir? Essa tem sido a atitude da maioria omissa, e isso deve ser mudado. Ora, eu tenho sido omisso até poucos dias atrás, e quero ver a Universidade como um ambiente propício ao livre pensamento, à livre expressão do conhecimento, e que de fato essa liberdade seja exercida sem poréns. Conclamo a maioria omissa a sair do armário (parafraseando Dawkins e sua turma) e lutar pelo direito de todos sermos livres e exercermos nossos direitos estabelecidos em sua plenitude. Nem o movimento estudantil e sindical e nem a Reitoria podem nos sujeitar a um toque de recolher implacável.
Agora, para que se solucione a greve, alguém tem que ceder. Que sejam ambos os lados, de preferência, e aqui estaremos para auxiliar e garantir, sempre, a prevalência da liberdade e da democracia, seja na Universidade, seja no País, seja em todas as Nações.
Não há fórmula mágica para a democracia. O que há é a conscientização, a cidadania inclusiva, e é a partir da atuação palpável dos núcleos de base (já tratados neste blog) que isso é possível. Só a sociedade civil organizada, independentemente de suas instituições políticas e coercitivas, pode realizar as transformações de que tanto precisa. Seja feito isso na USP e em todos os cantos onde houver pessoas.
Mudando o recorte... já passou da hora de revermos as estruturas da vanguarda do movimento estudantil que "nos representa". Fica a dica.
Este texto foi enviado por Samuel Ralize de Godoy, estudante de Graduação em Ciências Sociais na FFLCH-USP. Aguardamos sua contribuição para este debate! Envie seus textos, seus argumentos, suas reflexões, vamos transformar a realidade agora mesmo! cidadaniainclusiva@gmail.com
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Ocupação da USP.
Acompanho chocado os fatos que se desenrolam com os companheiros da USP. Pra começo de conversa, lidamos com uma instituição de ensino que parece ainda herdar as velhas manias dos reitores da época da ditadura. A USP recorrentemente tem aparecido na grande mídia e na mídia independente pelas atitudes antidemocráticas que tem tomado, como expulsão de alunos por motivos políticos e repressão a movimentos sociais do interior da universidade. Mas nada se compara ao recente acontecimento.
Segundo relatos feitos à mim, os companheiros de luta da USP, dessa vez, estavam revoltados com a demissão de um líder sindical dos servidores. Estudantes, combativos e rebeldes, acabaram tomando suas dores. E assim deu-se uma ligeira ocupação da reitoria, barricadas, piquetes e uma série de manifestações em nome de uma causa que, convenhamos, não é das mais importantes. A falta de um dos líderes não acaba com o movimento dos colegas servidores, importantíssimos dentro do processo de luta na comunidade universitária, podendo até ser chamado de injustiça a mobilização de duas categorias inteiras em torno de um só nome.
Mas os recentes acontecimentos apagam essa falta de razão dos estudantes e servidores. Nada pode servir de desculpa para a maneira como a reitoria da USP agiu. Sua reitora, comprovadamente em outras ocasiões antidemocrática, chamou a Polícia Militar (isso mesmo, o braço armado do Estado, conhecido pela sua forma violenta de repressão) para ocupar o campus da universidade. O que, por si só, poderia ser um ato comparavel a 1968 na UnB, ou as diversas outras ocupações de campus universitários pelo aparato militar durante a ditadura, foi agravado quando, durante uma manifestação que relatam ter sido COMPLETAMENTE PACÍFICA, a reitora encomendou ao governador José Serra o Choque da PM.
Já sabemos que os governos do PSDB não primam pela democracia (vide manifestações contra a privatização da Vale do Rio Doce). Toda e qualquer opinião professada contra seus interesses torna-se motivo para a repressão sem escrúpulos por parte de seus governos. O engraçado é que, nos dois exemplos, falamos de ícones da luta contra a ditadura e a repressão, citando Fernando Henrique Cardoso, exilado no Chile e depois na França e José Serra, ex-presidente da UNE combativa, também exilado pela ditadura militar. É de uma incoerência monstro que eles se portem de maneira tão vil contra a manifestação democrática e pacífica de movimentos sociais, ainda que, como já disse aqui, não fosse o caso de tamanho estardalhaço. O governo José Serra, e sua reitora-fantoche perderam total e completamente a razão agora de se portar contra o movimento dos companheiros da USP e não me surpreenderá caso os estudantes, servidores e, quem sabe, professores, endurecerem também.
Abaixo segue o link para acessar um texto enviado a mim pelo companheiro Samuel Ralize de Godoy, estudante de Ciências Sociais da USP, que contém o relato de um professor da universidade sobre como ocorreu a repressão:
http://cidadaniainclusiva.org/page_1239209220270.html
Por isso, repudio veementemente o governo José Serra. Já é hora de tal governo passar a exercer um regime democrático, a praticar a tolerância às opiniões políticas diversas às dele e colocar a Universidade de São Paulo no patamar que lhe é de direito, sem que isso acarrete em bombas ou pauladas.
Alexandre Branco Pereira.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Núcleo de São Paulo se reúne
domingo, 26 de abril de 2009
Resposta ao nosso amigo Frederico.
Provas concretas de que os partidos políticos estavam presentes em massa dentro das manifestações não são, de forma alguma, difíceis de achar. Eu mesmo tenho um panfleto de convocação para uma passeata do Fora, Collor!, na cidade de Uberaba/MG, organizada pelo Sindicato dos Bancários e assinado por este, pelo PT, PDT, PSDB, PCdoB, PCB, PPS... mas não é necessário ter provas históricas assim. A Internet está aí pra isso. Para facilitar o trabalho, pesquisei algumas coisas, que não impede vocês mesmos de irem atrás posteriormente. Eis o que achei:
http://www.youtube.com/watch?v=xL4poBI9zxU



São fotos bem claras. Dizer que "os estudantes faziam questão de rechaçar a participação de partidos políticos. Era um sinal claro de que os partidos não davam conta das reivindicações.", portanto, é faltar com a verdade. Primeiro, porque não eram só estudantes, existiam trabalhadores, como vemos a CGT, a CUT e outros sindicatos diversos presentes. Segundo, porque é obscena a afirmação que se rechacava a presença dos partidos, que muitas vezes, como o próprio colega Frederico afirma quando diz que Lula convoca as manifestações, organizava as passeatas. Não afirmamos aqui que os partidos não podem se manifestar, eles têm militância para isso. Mas dizer que eles não estavam lá, organizando, inflando, puxando grito, ou simplesmente presentes, como a professora negou, é mentir. Pergunte para a professora, novamente, quem discursava à frente do MASP, ao cabo das manifestações... com certeza, não eram estudantes apartidários.
Enfim, passemos a outra etapa do texto, provada a presença dos partidos no movimento de impeachment. Concordamos que estar presente não é o ponto de crítica. O que discordamos é que os movimentos sociais, aparelhados por partidos políticos, utilizam-se de uma catarse social, uma insatisfação social que ocorre durante um período para formar uma massa de manobra que só atende aos seus interesses eleitoreiros. Quando a UNE, num exemplo simplório, está sendo comandada pelo PCdoB, ela não está mais pelos direitos dos estudantes, mas sim pelos interesses do partido político que a comanda. No Fora, Collor! esse também foi o mote dos partidos políticos, e também de outras forças insatisfeitas. Os partidos que não tiveram seu naco de poder à época das eleições de 1989, ou que se indispuseram com o ex-presidente no meio do caminho, aproveitaram-se dessa grande onda de insatisfação social, desse grande anseio por uma política mais justa, dessa indignação generalizada causada por um período recente de abertura democrática e resolveram se aproveitar disso. Unindo o útil ao agradável, chamaram, todos eles, o povo às ruas. Queriam Collor fora do poder, e seria mais fácil que o povo fizesse o trabalho sujo. E o povo, como tinha de ser, atendeu, tamanha era sua indignação.
Não devemos nos iludir. Independentemente do partido, por mais à esquerda que ele se posicione, o povo nas ruas sempre é um perigo. Por isso que não é algo desejável que isso se torne um hábito. Logo após a catarse do Fora, Collor! houve, em todo movimento social, uma redução de atividade, e, em todo partido, um certo fechamento para o mundo. O mundo tinha que voltar ao normal, as pessoas tinham de voltar às suas casas. Até porque, eles (sim, eles mesmos, aqueles que subiram nos palanques, tão indignados quanto nós com o sacana do Fernando Collor) sabiam que, se quisessem prosseguir, um dia poderia ser a cabeça deles que estaria a prêmio. Assim foi com FHC, que esteve no Fora, Collor!, e as manifestações populares das privatizações (arquitetadas pelo PT), assim foi com Lula, que também esteve no Fora, Collor!, e as não manifestações populares da época do Mensalão, porque todos os movimentos sociais se calaram.
O ponto é que o povo nas ruas só interessa ao povo. E essa é a tarefa que o MCI se impõe. Pressão social constante. Enquanto os movimentos sociais não pertencerem ao povo, o povo não terá soberania, nem poder para combater os outros três Poderes que já são aparelhados pelos partidos políticos (sim, por que estão assustados? Acham mesmo que o Judiciário seja independente?). Não devemos esperar por heróis. Devemos, sim, ser agentes de nossa própria história. Já se têm três poderes em mãos alheias: os movimentos sociais têm de ser nossos, do povo.
E a provocação que eu gostaria de fazer ao colega Frederico é que, apesar de constantemente defender a permanência dos partidos políticos dentro dos movimentos sociais, incrivelmente as pessoas se apressam de maneira surpreendente para dizer que este ou aquele movimento em específico é, ou foi, apartidário. Você consegue ver o porquê dessa ambiguidade? Aguardamos sua resposta.
Gostaríamos que tal discussão não ficasse apenas entre o Frederico e nós do MCI. Participem, interajam, produzam! Um abraço.
sábado, 25 de abril de 2009
Debate na Ceilândia.
Continuem acompanhando!
quarta-feira, 22 de abril de 2009
GOG na Ceilândia 2.
Confirmando: no dia 25/4 GOG estará na Ceilândia, na CNN 01 - Bloco E, Ceilândia Centro, na Casa Brasil Ceilândia às 14h30.
Após a visita de GOG, publicaremos o que foi discutido com ele, aqui no blog. Compareçam, discutam e, depois, fiquem de olho!
terça-feira, 21 de abril de 2009
GOG na Ceilândia.
Conhecido não só pela sua fama de poeta do rap, GOG é um ativista político de primeiro escalão, e o encontro com o pessoal da Ceilândia se tratará disso. Discutir sua trajetória, sua visão de mundo e ouvir o que o pessoal de lá tem a dizer sobre a cidade e seus problemas. Pensar o mundo, começando por pensar a Ceilândia, será a tarefa do próximo sábado, se tudo der certo, para que possamos agir e mudar a realidade cruel que se apresenta diante de nós.
Assim que houver uma confirmação entre o MCI e a produção do GOG, voltaremos a publicar aqui no blog. Fiquem atentos!
Com vocês, Brasil com "P", de GOG:
Pesquisa publicada prova:
Preferencialmente preto
Pobre prostituta pra polícia prender.
Pare, pense: por quê?
Prossigo.
Pelas periferias praticam perversidades
PM's.
Pelos palanques políticos prometem, prometem...
Pura palhaçada.
Proveito próprio.
Praias, programas, piscinas, palmas!
Pra periferia:
Pânico, pólvora, pá, pá, pá!
Primeira página.
Preço pago:
Pescoço, peitos, pulmões perfurados.
Parece pouco?
Pedro Paulo,
Profissão: pedreiro.
Passatempo predileto:
Pandeiro.
Preso portando pó, passou pelos piores pesadelos.
Presídio, porões, problemas pessoais
Psicológicos. Perdeu parceiros, passado presente.
Pais, parentes, principais pertences.
PC: Político privilegiado, preso, parecia piada.
Pagou propina pro plantão policial.
Passou pelo porta principal.
Posso parecer psicopata,
Pivô pra perseguição
Prevejo populares portando pistolas,
Pronunciando palavrões
Promotores públicos pedindo prisões,
Pecado. Pena? Prisão perpétua.
Palavras pronunciadas
Pelo poeta, irmão...
quinta-feira, 16 de abril de 2009
O MCI e a Revolução
terça-feira, 14 de abril de 2009
Subsídio para discussão
A discussão por ele proposta terá continuidade numa próxima postagem. Até lá, aguardamos seu comentário! Seja no blog ou por email (cidadaniainclusiva@gmail.com), envie sua contribuição!"genial, espero mesmo que sua descrição tenha sido o retrato do MCI, fiquei bastante interessado apesar de algumas reservas pessimistas... Mais sobre pensar um paradoxo da política de que a democracia elege as pessoas que entrarão em conflito sob a instituição Estado pra supostamente representar aquelas vontades que estão fora do nosso alcance na vida cotidiana. A idéia de que essa representação nunca é perfeita porque de tão dominados até o pescoço com a impossibilidade de nos realizar como sujeito autonomo, em que 99% da nossa vida acontece fora do nosso alcance da decisão, inclusive contra nós, nos conformamos e nos rendemos ao individualismo pra que nossa realidade carnal no mínimo não se dissolva antes de refletir sobre um ser monstruoso a ser reformulado levando em consideração a consciência do quanto estamos sendo vacinados ideologicamente pra nos tornarmos doentes na realidade vivida. Como já te disse pessoalmente, a experiência da realidade nunca é suficiente pra supormos que o objetivo que buscamos é válido, até porque o esclarecimento que culmina em convicção está fadado a se arrogar portador de uma vontade coletiva que se desmascara facilmente a partir dos critérios induzidos, os quais nos forçam a engolir como a vontade de que não estamos conscientes que possuímos. Não é convincente. A realidade é um substrato vazio regido pelo acaso de que tiramos impressões infinitas e diferenciadas sem que ela se apresente como algo que por si mesmo tem valor explicativo. Se essa consciência da contradição pretende se validar como privilegiada para que atribuamos à mesma a responsabilidade sobre a ação, tudo se sujeita ao desmoronamento, seja quando as supostas vontades organizadas se disferenciem quanto à forma da ação, revelando o quanto é inseparável do individualismo, seja quando tapa os ouvidos pra possíveis vontades alheias, reduzindo-as a uma irracionalidade e, assim, desorientando-se da responsabilidade que lhe foi atribuida. a esfera eleitoral que, como você disse, constrói a ação de cima pra baixo, do partido para os estudantes, confere ao partido um foco de motivação para a ação. Há uma agonia de viver em uma realidade em que a esfera do conflito nos foi reduzida até o ponto máximo da perda de sentido de nossa ação para a realização de um ser autêntico que almejamos, em que a ação se encadeia a infinitas coisas que se revertem contra nós depois de perdermos sua trajetória, que nos faz sentir impotentes de fato. Enfim, deveriam estas pessoas sensíveis ao núcleo duro da realidade aprender a tolerar o horror ao invés de incitar o combate em seus níveis mais impulsivos? com técnicas coercitivas sobre o reconhecimento da necessidade da ação por omissões e justificativas que só reafirmam uma informação vazia de sentido por si mesma, enfim, colocando os próprios preconceitos sob o pedestal máximo da razão ao tentar amplificar berros de agonia que não dizem nada sobre o que deve ser feito? resumindo, esse algo a ser feito deve ser negociado, sob a idéia de responsabilidade, (que, como vejo, além de forçar interpretações sobre o quão agonizante é a situação sem justificativas adequadas, tem um esclarecimento insuficiente pra levar em consideração o fato de o usufruto do bem comum ou público como eles mesmos dizem, interferir sob qualquer circunstância na vida de todos que dele se utilizam, tendo, portanto, todos responsabilidade sobre a forma de ação que deve ser engendrada, sem que ninguém monopolize a própria agonia como representante maxima da racionalidade de uma ação impulsiva), e não de conscientização sobre convicções próprias, espero ter deixado isso claro. Infelizmente estamos longe de ver no ME a possibilidade de alguém se sentir motivado por outra coisa que não seja o desespero pra agir politicamente ou interesses relacionados aos partidos, que colocam em risco a vontade alheia, que lida com calculos de vantagens e desvantagens sobre as situações não menos significativos. é isso, voltando ao MCI depois de ter viajado um pouco. Se eu não estivesse no 4o ano apostaria em possibilidades de iniciativas desse tipo entrarem pro ceupes. Pelo menos assim não pensariamos que o ceupes é o orgao representativo do movimento estudantil no curso (como muitos confundem), mas que lida com situações mais especificas aos próprios alunos tenham eles ou não vinculos com o ME, logo aos partidos e toda parafernália ideológica que nenhum estudante é obrigado a ter pra possuir interesses significativos sobre o prédio."