sexta-feira, 10 de abril de 2009

Núcleo de São Paulo em ação!

Olá, galera! É com alegria que anunciamos o início do funcionamento do primeiro núcleo MCI de São Paulo! Para quem estiver por perto, fica o convite: a primeira reunião do núcleo ocorrerá hoje, 10/4/2009, a partir das 18h30, no Centro Cultural São Paulo (ao lado da entrada do Metrô Vergueiro). A pauta da reunião será composta por apresentação e integração dos participantes, tira-dúvidas e discussão sobre o MCI e definição de um plano para o núcleo.

Para mais informações, entre em contato por email (cidadaniainclusiva@gmail.com) ou telefone (11-9944-8661).

Numa próxima postagem do blog, falaremos sobre um tema recorrente em discussões sobre o Movimento: O MCI e a Revolução. Enquanto isso, comente, mande textos, perguntas, críticas, participe! E prevalece aqui o convite para conhecer nossa proposta de mudança e compor um núcleo de base! Até mais!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Informe

Galera, gostaríamos de informá-los que logo um novo espaço virtual do MCI será disponibilizado a vocês. Estamos construindo o site do MCI para que se facilite o acesso à informação sobre o Movimento, a espaços de discussão política, debates sobre cultura, mídia, problemas comunitários locais, pautas nacionais e internacionais... enfim, diversas coisas que ajudarão a fomentar o debate em geral.
O blog não deixará de existir!!!
Inclusive, é previsto que, com o desenvolvimento de novos núcleos, como os de Ceilândia e São Paulo, nós criemos blogs próprios para eles, a fim de divulgar o que é discutido e decidido em cada núcleo. No site, teremos links para os blogs, sendo que este aqui permanecerá mais como um "tira-dúvidas" e também fomentador de discussão política.
Até a próxima postagem!
P.S.: Não sabemos se já perceberam, mas nos deixa muito satisfeitos que, com o surgimento do MCI, algumas pessoas, no esforço para entender seus mecanismos, têm debatido frequentemente como se deve estruturar um movimento social, e a nossa sociedade, por consequência. Vocês, que fazem isso, podem não estar em nenhum núcleo (esperamos que isso mude, claro), mas já estão fazendo toda a diferença, acreditem.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Mais dúvidas

Olá, pessoal! Em alguns bate-papos, percebemos que alguns aspectos do Movimento pela Cidadania Inclusiva ainda não estão muito claros... isso nos faz repensar conceitos e discussões, o que é bom! Hoje, nossa postagem traz trechos de uma conversa entre Samuel Ralize de Godoy, do MCI, e Izabela Nalio, de São Paulo/SP. Alguns pontos foram esclarecidos. Vamos ver!

Izabela: Como a coisa vai funcionar na prática?
Samuel: Vamos à prática! Montamos o núcleo com tantas pessoas, e o núcleo se reúne. Definimos uma pauta para discussão: os efeitos da crise econômica, por exemplo. Para discutir, precisamos saber o que acontece: procuramos saber a respeito e determinamos o cenário. Tá, aí nós batemos aquele papo, diagnosticamos o cenário e suas consequências para a vida das pessoas...
Izabela: Tá, e agora, depois do papo?
Samuel: Discutindo, vemos que podemos fazer alguma coisa. Concluímos a discussão. Agora, depois do papo, vamos fazer o que discutimos, afinal, se é para discutir e só, não precisamos dos núcleos. O Congresso Nacional tá aí para isso, né? :P
Izabela: Você tem algum exemplo de como o MCI vai atuar?
Samuel: Exemplos... pressionar o Estado, atuar na promoção de cultura, infraestrutura, educação, saúde, consciência política, ambiental... vamos colocar a mão na massa. Ao mesmo tempo em que constituímos um verdadeiro Poder Moderador (a sociedade organizada discutindo e fiscalizando o governo, pressionando, participando e cobrando resultados), agimos como uma espécie de Executivo popular (a própria sociedade civil constrói e promove o que precisa, no dia a dia). É uma forma de atingirmos um horizonte de democracia participativa efetiva, sem influências partidárias.
Izabela: Já tem bastante gente?
Samuel: Em Ceilândia, no Distrito Federal, existe um núcleo operante e um outro em formação. Aqui em São Paulo, nosso núcleo tá pronto para começar, pequeno mas com indicativo de crescimento.
Izabela: Mas essa pressão que o MCI quer fazer... é de que forma?
Samuel: Pressão popular... seja de que forma ela se dê. Passeatas, manifestos, abaixo-assinados, mobilizações etc. Queremos convulsões sociais.
Izabela: E a conscientização do povo? Como vai acontecer?
Samuel: Núcleos de base e também a própria ação desses núcleos (mutirões, projetos culturais, tudo o que os núcleos construírem).
Izabela: Outras pessoas e eu estávamos receosas de que a coisa ficasse muito na teoria. Nós, os estudantes, a classe média, conscientizados e atuantes, mas e o resto?
Samuel: Não precisamos de mais teoria, de mais enrolação (risos)! Não queremos enrolação. A ideia é de que todos participem, essa é a proposta do MCI. Também não dividimos a sociedade entre estudantes, burgueses, proletários... estamos reunindo todos. Os núcleos são também uma tentativa de tornar real a democracia direta.

Essas perguntas e respostas reforçam o convite do MCI a todas as pessoas: venham refletir, discutir e agir em prol de todos! Vamos nós mesmos, cidadãos, fazer as mudanças necessárias para que obtenhamos condições de vida e democracia! Participe do MCI! Envie suas dúvidas, críticas e sugestões para nosso email (cidadaniainclusiva@gmail.com). E por que não montar um núcleo hoje mesmo? Até a próxima postagem! :D

domingo, 5 de abril de 2009

Primeiro núcleo formado! =)

Pessoal,

Eu, Alexandre Branco, membro do MCI de Brasília, gostaria de informar oficialmente a todos vocês a formação de nosso primeiro núcleo na cidade de Ceilândia, aqui no Distrito Federal. Na lógica de pequenos grupos, nosso núcleo por enquanto conta com 4 pessoas confirmadas, com possibilidades de crescimento e subdivisões.

Estamos em processo de formação de outro núcleo no "P norte", também em Ceilândia, com ajuda dos moradores da cidade. Além, claro, dos esforços de um dos fundadores, junto comigo, Samuel Ralize de Godoy, de montar um núcleo na cidade de São Paulo. Ao que tudo indica, tal núcleo de São Paulo está em processo avançado de estabelecimento.

Você também pode montar seu próprio núcleo! Para isso, basta juntar pessoas interessadas em discutir situações que afetem a comunidade e transformar a realidade. Depois, através do email cidadaniainclusiva@gmail.com, informe ao MCI que o núcleo for formado e está em funcionamento.

Informar o MCI não quer dizer que as pautas discutidas pelo núcleo serão controladas, mas servirá para articular as mobilizações quando elas precisarem se tornar nacionais; discutir assuntos que não sejam só locais; organizar, quando for necessário, as assembleias de núcleos, entre outras coisas.

Mais posts logo, logo!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Os núcleos de base

Muito se falou aqui sobre como os movimentos sociais historicamente se hierarquizaram e verticalizaram; de como, num dado momento de consolidação (em alguns momentos da história, tal atitude até foi necessária para que tais movimentos não deixassem de existir) e especialmente em como, sob nosso ponto de vista, tal verticalização e hierarquização é uma das doenças a serem combatidas nos movimentos sociais a fim de devolver a esses movimentos a capacidade de reinventar e modificar a sociedade. Mas agora mostraremos o caminho das pedras: deixemos o poder das palavras vazias de lado e nos atenhamos àquelas com que possamos construir nosso caminho. Explicaremos detalhadamente agora a história dos movimentos sociais até então, passaremos à explicação do que são os núcleos de base e então chegaremos ao porque não podemos abrir mão deles para construirmos um movimento legítimo que, de fato, canalize as insatisfações sociais do povo brasileiro. O primeiro passo para mudar o mundo? Não tenha preguiça de ler!

Primeiramente, é importante esclarecer que pressão social não é o mesmo que movimento social atuante. Se fosse, creditaríamos eventos históricos como as Reformas Protestantes, as revoluções burguesas, os levantes estudantis alemães do século XIX à presença de movimentos sociais atuantes na sociedade, e não o são. As pressões sociais são movimentos espontâneos de uma sociedade que fazem convergir os interesses de diversos setores dessa sociedade. Elas surgem para pleitear uma demanda e, uma vez atingida, a pressão social tende a se dissolver, ao contrário dos movimentos sociais. Para os movimentos sociais verdadeiros, as demandas de uma sociedade (ou de um setor dessa sociedade) nunca cessam, sendo necessária uma constante pressão social para que essas demandas sejam atendidas sucessivamente. Vamos dar exemplos.

Comparemos, por exemplo, a pressão social feita pelo movimento Fora Collor! e o movimento estudantil como um todo. Em “condições normais de pressão e temperatura”, isto é, se desconsiderarmos a majestosa influência partidária que se fez sentir no evento do Fora Collor!, tal evento não foi um movimento social. Vários setores desorganizados da sociedade brasileira sentiram-se representados e agraciados por aqueles que se manifestavam nas ruas. Milhões de brasileiros sem vínculo algum com movimentos sociais atenderam ao chamado desses movimentos para sair de preto nas ruas, não porque acreditavam nas doutrinas daqueles partidos ou eram filiados àqueles sindicatos, militantes daqueles movimentos, etc., mas porque estavam, de fato, indignados com a postura do presidente e não estavam mais dispostos a tolerá-la.

Depois daquele episódio, provavelmente muitas pessoas não aderiram a partidos, passaram a contribuir com seus sindicatos, passaram a ir a assembléias, ou coisas do tipo. As pressões sociais têm essa característica de serem uma espécie de catarse social passageira. As pessoas não se tornaram mais politizadas por participarem do movimento Fora Collor!, era um momento especial em que diversos ingredientes se juntaram no Brasil e discutir política passou a não parecer mais tão chato.

Agora analisemos o movimento estudantil. Sempre reconhecidos como uma classe vanguardista, os estudantes se posicionaram de fato dessa forma (não se os olharmos com os olhos de hoje, claro, mas com os da época). O movimento estudantil surge nas universidades europeias do século XIX, com um mote majoritariamente liberal. No Brasil, a primeira vez que os estudantes se organizam como classe foi à época da fundação da União Nacional dos Estudantes – a UNE – em 1925. Até hoje permanece como a maior entidade representativa dos estudantes do Brasil. E reside aí a principal diferença entre pressão social e movimento social: mais que a capacidade de organização, é a garantia de que não será algo efêmero, passageiro. Falando assim parece um elogio à UNE, né? Então voltemos ao Fora Collor!

Lembra do cidadão comum que tomamos como exemplo? Aquele que foi às ruas de preto, que compartilhou daquele sentimento de asco quando soube das denúncias de corrupção e também do sentimento de vitória quando Collor foi tirado do cargo mesmo não sendo militante aguerrido de nenhum movimento social? É possível que ele tenha tido a poupança bloqueada pelo governo Collor, ou algum familiar dele pode ter perdido economias de uma vida com tal política. Mas eram milhões de pessoas nas ruas e, até onde os números e os estudos mostram, não era possível serem apenas os afetados pelas políticas de Collor. Porque, num simples exemplo, nos foi impossível chamar de volta essas pessoas às ruas em 2005, na crise do mensalão, quando a onda de indignação era exatamente a mesma?

A resposta, tal qual a pergunta, é simples. Eles não ficaram nos movimentos sociais porque não há políticas de inclusão nesses movimentos sociais. É interessantíssimo às pessoas que estão nos sindicatos, associações, uniões estudantis, fóruns deliberativos e quaisquer que sejam os nomes que se dão a esses movimentos, que as pessoas comuns só participem no momento de fazer a tal pressão social. Alguém já viu essa lógica em algum lugar?

Isso é o que comumente chamamos de formação de massas de manobra. É extremamente conveniente para as cúpulas dos movimentos sociais não ter essas pessoas fazendo parte permanentemente de seus quadros, assim não há, de fato, espaço para se questionar a forma como se dão as coisas no seu interior (e repetimos a pergunta: alguém já viu essa lógica em algum lugar?).

Bom, é aí que se posiciona o MCI. Tal prática só se repetirá nos movimentos sociais enquanto os movimentos sociais quiserem repetir uma lógica que não lhes é própria: o de evitar e inibir a participação. E essa lógica de evitar a participação nós conhecemos bem de onde vem.

Partido quer dizer parte. Num parlamento, numa assembleia, um conjunto de partes forma um todo. Mas e quando cada parte quer ter seu próprio movimento social, como uma carta na manga, pra ser utilizado em momentos difíceis? Nada mais acontece. Quando falha a via institucional, aí os partidos recorrem ao povo, criando a pressão social (isso quando eles conseguem, tamanho é o descrédito hoje em dia). Nós, do MCI, queremos sim tomar parte, mas uma parte só: estamos do lado da sociedade civil. Não pare de ler, garot@!

Pra estar do lado da sociedade civil, temos que representar seus segmentos, não controlá-los. E, por sua vez, sermos agentes de nossa própria história, não relegando nosso destino nas mãos de grupelhos que se consideram iluminados para tal função. Somos capazes, doutores. O povo é capaz.

Enfim, nesse momento você deve se perguntar como vamos fazê-lo. E a resposta, embora não seja exatamente uma inovação, é bastante atual: formando núcleos de base. Os núcleos de base são pequenas células básicas do MCI, formados por poucos membros e que se destina a discutir todo e qualquer assunto que afete coletivamente aquela comunidade ou a sociedade como um todo. Os núcleos possibilitam, por serem pequenos, uma discussão ampla e profunda; permitem, por não serem representativos, uma participação direta e, mais do que qualquer outro movimento já existente, os núcleos do MCI permitem um verdadeiro movimento de base e uma capilarização desse movimento. E você, que chegou ATÉ aqui, ainda tem dúvidas disso?

Sem os núcleos, o MCI não existe; mas sem a cúpula, sim. O sistema de decisões a nível macro é representativo, mas não nos moldes tradicionais. Cada núcleo tem seu representante, o que inibe a preponderância do núcleo da Asa Sul sobre o núcleo da Ceilândia. Perceberam a importância dos núcleos de base?

Já ultrapassamos o limite do aceitável, e acredito que até quem possa ter se interessado está cansado de ler. Mas deixemos claro novamente uma coisa: àqueles que se incomodaram com nossa análise do passado, comunique-nos. Àqueles que têm dúvidas, pergunte-nos. E especialmente àqueles que viram possíveis falhas futuras em nosso movimento, a esses fazemos um apelo especial: junte-se a nós. Sua dúvida, sua crítica, seu diálogo e até sua desesperança pode servir de adubo para que encontremos uma solução.

Num próximo post: como montar seu núcleo de base. Até lá!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Dúvidas

Pessoal, estamos preparando uma cartilha detalhada sobre o Cidadania Inclusiva. Enquanto não a publicamos, algumas dúvidas surgem, o que é saudável. Vão aqui alguns esclarecimentos sobre pontos que geraram perguntas durante os últimos dias.

O MCI é uma entidade estudantil?

Não, o MCI é um movimento social amplo. Temos como faixa de atuação toda a sociedade civil organizada, ultrapassando os muros da escola e da universidade. Dessa forma, não temos o objetivo de concorrer com Grêmios Estudantis, Centros e Diretórios Acadêmicos, Diretórios Centrais ou Uniões Estudantis (nem mesmo disputar a gestão desses órgãos).

O MCI possui vínculos com algum partido político?

O MCI é um movimento social idealizado sobre o pilar do apartidarismo. Ou seja, nós não somos vinculados a quaisquer partidos políticos. Também não possuimos objetivos eleitoreiros, o que significa que não viemos concorrer com qualquer partido ou instituição equivalente. Também não temos a intenção de dissolver quaisquer partidos ou instituições políticas.

Qual é a posição do MCI, ideologicamente?

O Movimento pela Cidadania Inclusiva é um movimento social de esquerda. Nossos horizontes são a igualdade e a justiça social. (Trataremos dessa questão com aprofundamento noutros tópicos do blog e também na cartilha, a qual será publicada em breve.)

O que são os núcleos de discussão?

Grosso modo (trataremos com aprofundamento em tópicos próximos), núcleos de discussão são grupos formados por pessoas interessadas em discutir questões que afetam a vida de todos nós. Mais que isso, são grupos que, a partir da discussão (e da consequente conscientização), de fato têm o poder de fazer as transformações de que precisamos, e o fazem. O núcleo se reúne para discutir determinada questão, chega a uma resolução e determina o que é preciso para solucionar a questão. Depois, coloca em prática essa solução. Simples assim.

O que os núcleos de discussão podem abordar?

Os núcleos podem tratar de questões que afetam a realidade de todos nós. Alguns exemplos: educação, infraestrutura urbana, saúde pública, cultura, meio ambiente, economia, política, direitos humanos, violência, segurança pública e tantos outros incontáveis assuntos. O importante a observar é que os núcleos devem ultrapassar a discussão e partir para a ação, propriamente dita, que é a responsável pelas transformações esperadas.

É importante ressaltar uma característica do núcleo: ele é bem pequeno. Sendo assim, pode-se discutir de maneira profunda e extensa os problemas que afetam a base. É claro que os núcleos discutirão, vez em quando, questões nacionais. Mas, por estarem mais próximos da realidade local, ninguém melhor que eles para apontar falhas e soluções para sua realidade.

Esperamos que essas respostas sejam de ajuda para entender melhor um pouco da ideia do Cidadania Inclusiva. Não abordamos todas as questões, mas todas serão tratadas pelos próximos tópicos do blog. Deixe suas dúvidas, críticas, sugestões nos comentários, mande emails (cidadaniainclusiva@gmail.com). Participe! É ousar para vencer!

terça-feira, 31 de março de 2009

Provocação a vocês, enquanto a cartilha não vem.

Recebemos um email de Fernanda Martins, comentando o texto Ousar começar!, e decidimos publicá-lo aqui. Gostaríamos que ele servisse de provocação à vocês que devem estar nos acompanhando. Aí vai:

"(...)Mas gostaria de poder entender melhor o que isso significa. Se puder me mandar mais coisas, um pouco mais claras e explícitas, como por exemplo, como vocês pretendem levar esse movimento à "base" num país onde ainda poucos têm acesso à internet? Ou ainda, muitos ainda não lêem nem o nome do ônibus em que estão entrando? Não é uma alfinetada sutil, é uma provocação mesmo!! (...)
Fernanda"


Comentários, respostas à provocação? Em alguns dias publicaremos nossa resposta a esse email e também as respostas de pessoas que nos remeterem comentários. Lembraremos mais uma vez nosso email: cidadaniainclusiva@gmail.com. Estamos no aguardo, montem o debate!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Em processo de desenvolvimento...

Sabemos que os acessos ainda estão esparsos nesse início de atividade do blog, mas gostaríamos de garantir a vocês que estamos já desenvolvendo os próximos posts. E já vamos liberar um release do que será trabalhado nos próximos textos: depois de alguns devaneios filosóficos, chegou a hora de botarmos no papel como imaginamos que se dará a estruturação do MCI. Teorizaremos para que possamos depois praticar essa estruturação, que é um dos principais diferenciais do movimento: os núcleos de base.


Lembrando sempre que qualquer pessoa que quiser remeter um texto para ser publicado e discutido aqui no blog, é só remeter para cidadaniainclusiva@gmail.com.


Juntem-se a nós!

Por uma democracia participativa - 2007

Galera, esse é um texto que um dos nossos membros escreveu em 2007. Reflete o que nós queremos em termos de participação política. Vai mais a título de esclarecimento.



Por uma democracia participativa
21-Nov-2007 - 01:03


O Tribunal Superior Eleitoral lançou, recentemente, uma ampla campanha de "conscientização" sobre a importância da participação e do engajamento da juventude no processo eleitoral. A campanha, suscitada por uma preocupação do tribunal relacionada ao baixo número de jovens de 16 e 17 anos que possuem o título de eleitor, tem como principal mote a frase: "Você sempre pôde dizer o que pensa. Mas, sem o título de eleitor, você não será ouvido". Esse lema, por melhor que seja a índole da campanha, é uma forma muito limitada de considerar os valores democráticos.

A democracia, como a conhecemos, tem sua origem nos EUA pós-independência. Escrita em 1787, a constituição estadunidense, inspirada em ideais iluministas, deu base e sustentação posteriores a todas as repúblicas democráticas ocidentais, com exceção à Inglaterra e Espanha, monarquias constitucionais, e à Rússia e os países do leste europeu, sob o jugo da ditadura soviética. Sendo assim, o Brasil se inclui nesse grupo ocidental que, embora tenha manchado sua história com ditaduras, moldou seu sistema político com base no dos EUA.

Após longos anos de ditadura, como aqueles que passamos, fica evidente a grandeza da conquista de um sistema institucional democrático, pluripartidário e representativo. Fortalecer nossas instituições democráticas, como o parlamento, o poder judiciário e o poder executivo são passos imprescindíveis a uma democracia relativamente jovem como a nossa. Porém, à medida que isso se torna passo dado na história do país, como estamos fazendo, é necessária uma requalificação e ampliação dessa idéia de democracia, para além das esferas institucionais/eleitorais.

A participação política, ao contrário do que é defendido pelo nosso Tribunal Superior Eleitoral em sua campanha, não se dá única e exclusivamente no âmbito eleitoral. Aderir incondicionalmente à campanha do TSE seria negar essa importante faceta da democracia, concordando, portanto, que somente seremos cidadãos (no caso, jovens) politicamente ativos e participantes se comungarmos do lado institucional da política.

Não devemos nos resumir em democracia eleitoral. Devemos recusar essa democracia meramente representativa, sistema com participação política limitada pregado pelo TSE, para nos alçarmos à democracia participativa, com ampla participação política. É evidente a importância da participação da sociedade como um todo no processo eleitoral, mas não podemos nos iludir com a falsa idéia de que só o sistema político-partidário institucional irá suprir as demandas da sociedade civil. É necessário que nos ergamos e participemos em fóruns extra-eleitorais, formemos associações, sindicatos, grêmios, uniões estudantis e tudo que nos foi garantido pela Carta Magna. Só assim, realmente, seremos ouvidos.

domingo, 29 de março de 2009

Ousar começar!

Inovações são frequentes e necessárias. Mas inovações não acontecem do dia pra noite e não chegam simplesmente do nada: inovações são construídas no dia a dia, ao contrário do que muitos pensam. E tais inovações são especialmente requisitadas em movimentos sociais, pois um setor que reivindica o posto de reinventor da sociedade tem que estar em constante reinvenção de si próprio.

A história nos mostra a gratidão que somos obrigados a ter com os movimentos sociais. Mudanças cruciais seriam impossíveis, ou pelo menos seriam adiadas em décadas, não fosse a intervenção pontual de pessoas comuns, como eu e você. Mas tal gratidão não é o suficiente para que nós perpetuemos o modelo de movimento que se pratica, como é o natural em qualquer outra esfera da sociedade.

Começamos nossa trajetória como militantes de Grêmio Estudantil. Temos, portanto, o movimento estudantil como nossa base de nascimento político. E aprendemos muito com isso. A maneira como as coisas se arquitetam dentro do movimento feito por estudantes, os secundaristas inclusive, já se fazem profissionalmente. Um reflexo daquilo que, para um certo período do movimento estudantil, foi essencial para sua sobrevivência, mas que agora engessa qualquer tipo de possibilidade real de mudança da realidade dos estudantes brasileiros.

Erguemos então, indignados com a situação aparelhada do movimento estudantil, uma proposta de revolução a ser implantadas pelos estudantes. Seria o Movimento Estudantil Livre. Explicamos.

O Movimento Estudantil Livre, ou MEL, seria um movimento livre das amarras partidárias, que identificávamos então como o principal câncer do movimento estudantil exatamente por impedir que o movimento se comprometesse com a classe para se comprometer com o partido, e planejava retomar as entidades históricas representativas dos estudantes (leia-se UNE e UBES) das mãos dos partidos e devolvê-las às mãos dos estudantes. Um movimento estudantil feito por estudantes e para estudantes.

Porém, houve um equívoco nosso. Talvez por falta de imaginação social, uma coisa bastante comum, começamos a erigir o movimento a partir da cúpula, e não da base. Nada nos diferenciava, portanto, daqueles que nós criticávamos, pois ambicionávamos um movimento de base. Tínhamos um diferencial que não era o suficiente ainda.

Passado um tempo de dúvidas teóricas, a resposta veio. Nosso movimento seria constituído por centenas, talvez milhares de núcleos de base, que discutiriam nossas posições, fariam com que nos tornássemos capilarizados na sociedade, politizaria as pessoas, levaria a decisão política da cúpula à base, da maneira como queríamos. Demoraria mais, mas essa era a verdadeira revolução que queríamos e necessária para tornar o movimento social novamente uma arma eficaz de luta nas mãos do povo brasileiro.

Além disso, não nos resumiríamos a discutir problemas de classe. Não segregaríamos setores da sociedade, pois tínhamos um objetivo maior: lutar contra a desigualdade social. Portanto, de Movimento Estudantil Livre, passamos para Movimento pela Cidadania Inclusiva.

E é com essa face que o MCI se apresenta hoje a vocês. Dessa vez de forma permanente, com as dúvidas sanadas e pronto para a ação. Somente um movimento capaz de reiventar a si mesmo tantas vezes é capaz de reinventar a sociedade da maneira mais profunda como ela precisa. E o que precisamos agora é de um movimento de base, capilarizado, que faz com que o poder de mudança esteja nas mãos da sociedade civil organizada, e não nas mãos das cúpulas partidárias; um movimento que lute por educação e saúde públicas de qualidade para toda a população, justiça social, politização e dignidade a uma população que está farta de ser fantoche de grandes pilantras poderosos. Levar cidadania a quem já se esqueceu o que significa essa palavra, ou, como é infelizmente recorrente em nosso país, nunca soube o que ela significou.

Renovar é preciso, e a vanguarda é o Movimento pela Cidadania Inclusiva. Junte-se a nós: cidadaniainclusiva@gmail.com.